Dólar recua na semana e fecha perto de R$ 5,10: entenda o que moveu o câmbio

O dólar encerrou os últimos pregões em queda acumulada frente ao real, negociado perto de R$5,10, segundo dados apurados pela InfoMoney. Depois de fechar a R$5,1451 na sexta-feira (18/09), a moeda recuou nos pregões seguintes. Veja o que ajuda a explicar essas movimentações e por que elas costumam ter várias causas ao mesmo tempo, não uma só.

Como o dólar se moveu nos últimos dias

  • Sexta-feira (18/09): fechou em R$5,1451, alta de 0,11% no dia, acumulando alta de 0,39% na semana.

  • Segunda-feira (21/09): fechou em R$5,1080, queda de 0,72%.

  • Terça-feira (22/09): fechou em R$5,1040, leve queda de 0,08%.

Nesta quarta-feira (23/09), o noticiário indicava viés de alta para a moeda ao longo do dia, mas os dados oficiais de fechamento não estavam disponíveis no momento da apuração deste texto — por isso, preferimos não citar aqui um número que não pudemos confirmar.

Cenário eleitoral no radar

Pesquisas eleitorais recentes como Datafolha e BTG/Nexus mostraram empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno. Esse tipo de notícia tem mexido com o que o mercado financeiro chama de “trade eleitoral”: movimentos de compra e venda de ativos motivados por expectativas sobre o resultado das eleições, não apenas por fundamentos econômicos imediatos.

Fluxo internacional e atuação do Banco Central

Parte da queda do dólar também acompanhou um movimento mais amplo de enfraquecimento da moeda americana frente a outras divisas emergentes, como o peso chileno, o sol peruano e o rand sul-africano. Ao mesmo tempo, o Banco Central atuou no mercado de câmbio, vendendo US$1 bilhão em leilão de linha e ofertando 50 mil contratos de swap cambial ligados à rolagem de um vencimento no início de outubro. Segundo a InfoMoney, também houve saída líquida de capital estrangeiro do país em setembro  cerca de US$6 bilhões até o dia 11, principalmente pelo canal financeiro

Selic e cenário externo também pesaram

A ata do Copom, divulgada nesta semana, defendeu a manutenção de uma postura ainda restritiva na política monetária, mas o mercado já processa a expectativa de um novo corte da Selic na reunião de novembro  o que tende a reduzir a diferença entre os juros brasileiros e os americanos, um fator que normalmente pressiona o câmbio. Lá fora, a expectativa de um entendimento entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio também ajudou a reduzir a aversão ao risco nos mercados globais.

O que isso significa na prática

Para pessoas físicas, a variação do dólar pesa mais diretamente em viagens internacionais, compras em moeda estrangeira e produtos importados. Para pequenas e médias empresas que compram insumos importados ou vendem para fora, a oscilação cambial pode afetar diretamente o custo do produto e o planejamento financeiro nesses casos, negociar prazos e considerar mecanismos como a antecipação de recebíveis pode ajudar a lidar com a incerteza do câmbio no fluxo de caixa.

Fontes